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Escalões IRS 2026 — Tabela Completa, Taxas e Como Calcular

Escalões IRS 2026 — Tabela Completa, Taxas e Como Calcular

Os escalões de IRS determinam quanto imposto paga sobre o seu rendimento anual em Portugal. Em 2026, o Orçamento do Estado trouxe alterações nos limites e nas taxas, que afectam directamente o seu salário líquido, a retenção na fonte e o reembolso na declaração anual. Neste guia, explicamos cada escalão em detalhe, com exemplos práticos para diferentes níveis de rendimento.

Última actualização: Março 2026 | Fonte: Orçamento do Estado 2026 e Autoridade Tributária

O que São os Escalões de IRS

O IRS (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares) é o principal imposto sobre os rendimentos em Portugal. Funciona num sistema de escalões progressivos: o rendimento é dividido em faixas, e cada faixa paga uma taxa diferente. Isto significa que não paga a mesma percentagem sobre todo o rendimento — paga taxas crescentes apenas sobre a parcela que cai em cada escalão.

Este sistema garante que quem ganha mais contribui proporcionalmente mais, enquanto os rendimentos mais baixos beneficiam de taxas reduzidas. É por isso que a taxa marginal (a taxa do último escalão que atinge) é sempre superior à taxa média efectiva (o imposto total dividido pelo rendimento total).

Os escalões aplicam-se aos rendimentos das categorias A (trabalho dependente) e H (pensões), que representam a maioria dos contribuintes portugueses. Rendimentos de outras categorias (B, E, F, G) podem ter regimes especiais.

Tabela de Escalões IRS 2026

Os valores aprovados no Orçamento do Estado para 2026 são os seguintes:

Escalão Rendimento Colectável Anual Taxa Marginal Parcela a Abater
1.º Até 7.479€ 14,5% 0€
2.º 7.479€ a 11.539€ 23% 635,72€
3.º 11.539€ a 15.000€ 28,5% 1.270,38€
4.º 15.000€ a 19.735€ 35% 2.245,38€
5.º 19.735€ a 28.196€ 37% 2.639,78€
6.º 28.196€ a 39.484€ 43,5% 4.472,54€
7.º 39.484€ a 51.997€ 45% 5.064,80€
8.º 51.997€ a 81.199€ 48% 6.624,71€
9.º Acima de 81.199€ 48% 6.624,71€

O que é a parcela a abater? É um valor fixo que simplifica o cálculo. Em vez de calcular o imposto escalão a escalão, basta aplicar a taxa marginal ao rendimento total e subtrair a parcela a abater. O resultado é exactamente o mesmo.

O que Mudou Face a 2025

O OE 2026 introduziu algumas alterações relevantes face ao ano anterior:

  • Actualização dos limites dos escalões: Os limites de cada escalão foram ajustados em cerca de 4,6% face a 2025, acompanhando a inflação acumulada. Isto significa que, com o mesmo salário, pode pagar menos IRS.
  • Manutenção das taxas marginais: As percentagens de cada escalão mantiveram-se inalteradas — a estrutura continua com 9 escalões.
  • Mínimo de existência actualizado: O limiar mínimo de rendimento isento de tributação subiu para acompanhar o salário mínimo nacional (870€/mês em 2026).
  • IRS Jovem ampliado: O regime de isenção parcial para jovens até 35 anos foi alargado — consulte o nosso guia IRS Jovem 2026.

Como Calcular o IRS — Passo a Passo

Calcular o IRS pode parecer complexo, mas segue uma lógica simples. Veja como funciona, passo a passo:

Passo 1: Determine o rendimento bruto anual

Some todos os rendimentos tributáveis do ano: salário base × 14 meses (12 meses + subsídio de férias + subsídio de Natal), mais quaisquer bónus, comissões ou outros rendimentos. Se é trabalhador por conta de outrem, o valor consta do recibo de vencimento.

Passo 2: Aplique a dedução específica

Para trabalhadores dependentes (categoria A), a dedução específica é de 4.104€ (ou o valor das contribuições para a Segurança Social, se superior). Para pensionistas (categoria H), o valor é igual. Subtraia este montante ao rendimento bruto para obter o rendimento colectável.

Passo 3: Aplique o quociente conjugal (se aplicável)

Casais que optam pela tributação conjunta dividem o rendimento colectável por 2 antes de aplicar os escalões. No final, o imposto calculado é multiplicado por 2. Isto pode beneficiar casais com rendimentos muito desiguais.

Passo 4: Aplique os escalões

Use a tabela acima. Há duas formas de calcular:

  • Método rápido: Rendimento colectável × taxa marginal do seu escalão − parcela a abater
  • Método detalhado: Calcule o imposto de cada escalão separadamente e some

Passo 5: Subtraia as deduções à colecta

As deduções reduzem directamente o imposto a pagar. As principais são:

  • Despesas gerais familiares: 35% das despesas, até 250€ por sujeito passivo
  • Saúde: 15% das despesas, até 1.000€
  • Educação: 30% das despesas, até 800€
  • Habitação: 15% dos juros de crédito habitação (contratos até 2011) ou 15% das rendas, até 502€
  • Lares: 25% das despesas, até 403,75€
  • Exigência de factura (IVA): 15% do IVA suportado em restauração, alojamento, cabeleireiros, oficinas e veterinários, até 250€
  • Filhos: 600€ por dependente (726€ se tiver 3+ dependentes)

Passo 6: Compare com a retenção na fonte

Ao longo do ano, o seu empregador retém IRS do salário. Na declaração anual, compara-se o imposto devido com o que foi retido. Se retiveram mais, recebe reembolso; se retiveram menos, tem de pagar a diferença.

Exemplos Práticos de Cálculo

Para facilitar a compreensão, veja como o IRS funciona na prática para diferentes níveis salariais. Todos os exemplos assumem um contribuinte solteiro, sem dependentes, categoria A.

Exemplo 1: Salário mínimo (870€/mês)

  • Rendimento bruto anual: 870€ × 14 = 12.180€
  • Dedução específica: −4.104€
  • Rendimento colectável: 8.076€
  • Cálculo: 8.076€ × 23% − 635,72€ = 1.221,76€ − 635,72€ = 221,76€
  • Taxa média efectiva: 1,8%

Com as deduções à colecta (despesas gerais, e-fatura), é provável que o IRS efectivo seja zero ou próximo de zero.

Exemplo 2: Salário de 1.500€/mês

  • Rendimento bruto anual: 1.500€ × 14 = 21.000€
  • Dedução específica: −4.104€
  • Rendimento colectável: 16.896€
  • Cálculo: 16.896€ × 35% − 2.245,38€ = 5.913,60€ − 2.245,38€ = 3.668,22€
  • Taxa média efectiva: 17,5%

Exemplo 3: Salário de 2.500€/mês

  • Rendimento bruto anual: 2.500€ × 14 = 35.000€
  • Dedução específica: −4.104€
  • Rendimento colectável: 30.896€
  • Cálculo: 30.896€ × 43,5% − 4.472,54€ = 13.439,76€ − 4.472,54€ = 8.967,22€
  • Taxa média efectiva: 25,6%

Exemplo 4: Salário de 5.000€/mês

  • Rendimento bruto anual: 5.000€ × 14 = 70.000€
  • Dedução específica: −4.104€
  • Rendimento colectável: 65.896€
  • Cálculo: 65.896€ × 48% − 6.624,71€ = 31.630,08€ − 6.624,71€ = 25.005,37€
  • Taxa média efectiva: 35,7%

Tributação Conjunta vs Separada — O que Compensa

Se é casado ou vive em união de facto, pode optar pela tributação conjunta ou separada. A diferença pode ser significativa:

Cenário Tributação Separada Tributação Conjunta Poupança
Ambos ganham 1.500€/mês 7.336€ 7.336€ 0€
Um ganha 3.000€, outro 1.000€ 12.840€ 11.200€ 1.640€
Um ganha 4.000€, outro 0€ 17.650€ 14.670€ 2.980€

Regra prática: quanto maior a diferença de rendimentos entre o casal, mais compensa a tributação conjunta. Se ambos ganham valores semelhantes, o resultado é praticamente igual.

Mínimo de Existência — Quem Está Isento

O mínimo de existência é o limiar abaixo do qual o contribuinte fica isento de IRS. Em 2026, nenhum contribuinte pode ficar com um rendimento líquido inferior a 1,5× o valor anual do IAS (Indexante dos Apoios Sociais) após impostos.

Na prática, isto significa que contribuintes com rendimentos brutos até cerca de 11.480€/ano (aproximadamente 820€/mês × 14) pagam zero de IRS. O mínimo de existência garante que trabalhadores com o salário mínimo não são tributados.

Retenção na Fonte — Tabelas 2026

A retenção na fonte é o IRS que o empregador desconta mensalmente do salário. As tabelas de retenção são publicadas pela AT no início de cada ano e variam conforme:

  • Estado civil: solteiro, casado (um ou dois titulares), unido de facto
  • Número de dependentes: cada filho reduz a retenção
  • Deficiência: grau de incapacidade igual ou superior a 60%
  • Região: Continente, Açores ou Madeira (taxas diferentes)

Pode consultar as tabelas completas no nosso guia Tabelas IRS 2026 ou usar o Simulador IRS 2026 para calcular a sua situação exacta.

Datas Importantes do IRS em 2026

Data Obrigação
15 de Fevereiro Prazo para validar facturas no e-Fatura
15 de Março Prazo para comunicar/confirmar agregado familiar
1 de Abril a 30 de Junho Período de entrega da Declaração de IRS
31 de Julho Data limite para reembolsos (prazo indicativo)
31 de Agosto Data limite para pagamento de IRS em falta

Regimes Especiais que Afectam os Escalões

IRS Jovem

Trabalhadores até 35 anos com o primeiro emprego podem beneficiar de isenção parcial nos primeiros 10 anos de carreira. Em 2026, a isenção pode chegar a 100% no 1.º ano, diminuindo progressivamente. Leia o nosso guia completo sobre IRS Jovem.

Residentes Não Habituais (ex-NHR)

O regime NHR foi encerrado para novas adesões em 2024, mas quem já estava inscrito mantém os benefícios até ao fim do período de 10 anos, com taxa fixa de 20% para rendimentos de profissões de elevado valor acrescentado.

Trabalhadores Independentes (Categoria B)

Os trabalhadores a recibos verdes podem optar pelo regime simplificado (coeficientes sobre o rendimento bruto) ou pela contabilidade organizada. No regime simplificado, apenas 75% do rendimento de prestação de serviços é tributado, fazendo com que os escalões se apliquem sobre um valor inferior. Consulte o nosso guia IRS Categoria B.

Dicas para Pagar Menos IRS em 2026

  1. Valide todas as facturas no e-Fatura: Maximize as deduções validando facturas em todas as categorias (saúde, educação, habitação, despesas gerais).
  2. Peça factura com NIF: Sempre que possível, peça factura com o seu número de contribuinte em restaurantes, oficinas, cabeleireiros e veterinários para beneficiar da dedução de IVA.
  3. Considere a tributação conjunta: Se é casado e um dos cônjuges ganha significativamente mais, simule ambos os cenários.
  4. Invista num PPR: As contribuições para Planos Poupança Reforma deduzem até 400€ no IRS (dependendo da idade). Veja o nosso comparador de PPR.
  5. Declare despesas de educação e saúde: Inclua propinas, consultas médicas, seguros de saúde e outros gastos elegíveis.
  6. Comunique alterações ao agregado familiar: Casamentos, nascimentos ou dependentes ascendentes alteram a retenção e as deduções.

Perguntas Frequentes sobre Escalões IRS 2026

Qual é a diferença entre taxa marginal e taxa média de IRS?

A taxa marginal é o imposto aplicado à última parcela de rendimento, ou seja, ao seu escalão mais alto. A taxa média efectiva é o imposto total dividido pelo rendimento total. Por exemplo, com um rendimento colectável de 20.000€, a taxa marginal é 37% mas a taxa média efectiva é cerca de 20%. Isto acontece porque os primeiros escalões pagam taxas mais baixas.

O salário mínimo paga IRS em 2026?

Na prática, não. O mínimo de existência garante que trabalhadores com o salário mínimo nacional (870€/mês em 2026) ficam isentos de IRS ou pagam um valor simbólico que é completamente absorvido pelas deduções à colecta.

Como funciona o IRS para pensionistas?

Os pensionistas são tributados nos mesmos escalões, mas com uma dedução específica própria (categoria H). As pensões de reforma, invalidez e sobrevivência são tributadas, com excepção de pensões de invalidez permanente por acidente de trabalho ou doença profissional, que podem estar isentas.

Posso alterar o escalão de retenção na fonte?

Pode pedir ao empregador que aplique uma taxa de retenção superior à da tabela (para evitar pagar no final do ano) ou comunicar alterações no agregado familiar que reduzam a retenção. Não pode, no entanto, pedir uma taxa inferior à legalmente prevista.

Os Açores e Madeira têm escalões diferentes?

Os escalões são os mesmos em todo o território nacional, mas as taxas de retenção na fonte são mais baixas nas Regiões Autónomas. Os residentes nos Açores e Madeira beneficiam de uma redução de 30% nas taxas de IRS.

Quando é que recebo o reembolso do IRS?

A AT tem como prazo indicativo 31 de julho para processar os reembolsos. No entanto, declarações entregues no início do prazo (abril) podem receber reembolso em 2-3 semanas. Declarações com erros ou que necessitem de validação podem demorar mais.

Os rendimentos de criptomoedas pagam IRS?

Sim. Desde 2023, as mais-valias de criptomoedas detidas por menos de 365 dias são tributadas à taxa autónoma de 28%. Mais-valias de criptomoedas detidas há mais de um ano estão isentas. Consulte o nosso guia sobre impostos de criptomoedas.

Ferramentas Relacionadas

Utilize as nossas ferramentas gratuitas para calcular a sua situação fiscal exacta:

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